Dance To My Afro: Jnr SA lança novo EP com seis faixas a 24 de Julho
Um EP curto, mas bem cuidado
Seis faixas podem, à primeira vista, parecer poucas, mas cumprem um papel específico. Em projectos deste género, esse número funciona como uma introdução compacta e directa. Ou seja, não há enchimento. Pelo contrário, a ideia é manter o ouvinte agarrado do início ao fim.
Muitos artistas, contudo, preferem entregar qualidade em vez de quantidade. Por isso, eles testam novas direcções sonoras antes de avançar para um álbum maior. Da mesma forma, Jnr SA parece seguir esse caminho com Dance To My Afro. Assim, o artista aposta numa proposta curta, mas trabalhada com cuidado em cada faixa.
O som entre o afro house e o amapiano
O EP situa-se, na verdade, numa zona de encontro entre géneros. Ele junta o afro house a outras vertentes que dominam as pistas de dança actualmente, como o amapiano e certas influências de deep house. Vários produtores da região, aliás, seguem essa combinação. Dessa forma, criam faixas que funcionam tanto em festas como em sessões de escuta mais tranquila.
As percussões, em primeiro lugar, assumem um papel central nesta sonoridade. As batidas remetem a padrões africanos tradicionais. Além disso, os sintetizadores e as linhas de baixo trazem o toque contemporâneo da produção electrónica actual. Esse equilíbrio entre o antigo e o novo, portanto, tem ajudado artistas como Jnr SA a conquistar públicos diferentes. Assim, ouvintes fiéis do afro house e novos fãs vindos do amapiano encontram-se no mesmo projecto.
O título Dance To My Afro, por fim, reforça essa valorização da africanidade através do movimento. Igualmente, vários produtores moçambicanos e sul-africanos seguem essa mesma intenção. Ou seja, procuram afirmar uma identidade sonora própria dentro de um mercado global cada vez mais competitivo.
Como ouvir as seis faixas do EP
A escuta das seis faixas segue, antes de mais, uma lógica de percurso contínuo. As músicas evitam, assim, grandes quebras de ritmo entre si. Normalmente, artistas ligados à cena house e amapiano usam essa sequência. O objectivo, portanto, é manter uma atmosfera constante, propícia à dança, do início ao fim do projecto.
A data de lançamento, além disso, também não parece acaso. Afinal, um fim-de-semana costuma reunir mais pessoas à procura de nova música para eventos, festas e encontros sociais. Assim, Jnr SA junta-se a uma lista crescente de artistas moçambicanos e da região. Estes, por sua vez, têm apostado em lançamentos regulares para manter o público envolvido, em vez de esperar longos períodos entre projectos.
Essa estratégia, no entanto, funciona bem para artistas emergentes. Isto porque lançamentos frequentes e de qualidade reconhecível ajudam a construir, com o tempo, uma base de seguidores fiel.
O impacto de Dance To My Afro na cena moçambicana
Este lançamento, contudo, vai além da simples música. Na verdade, ele contribui para o fortalecimento da indústria musical electrónica em Moçambique e na região da África Austral. Além disso, cada novo EP de produtores locais ajuda a colocar o país no mapa de géneros que, até há poucos anos, pertenciam quase só a artistas sul-africanos.
Jnr SA representa, assim, essa nova geração de produtores. Eles não têm receio de experimentar, misturar influências e, sobretudo, apresentar propostas próprias ao público. Dessa forma, Dance To My Afro chega num momento de crescimento constante do afro house e de géneros associados, tanto em plataformas de streaming como em eventos ao vivo pela região.
Por fim, o público decidirá quais das seis faixas se tornarão favoritas nas pistas de dança e nas playlists pessoais. Ainda assim, o essencial já está feito: mais um projecto moçambicano chega ao mundo, pronto para tocar, dançar e transmitir a proposta que dá título ao próprio EP.